Boulder, CO: O departamento de Parques de Montanha e Espaços Abertos (OSMP) da cidade de Boulder, no Colorado, supervisiona 18.200 hectares de terras públicas, incluindo cerca de 240 quilómetros de trilhos. Pode parecer uma área enorme para uma cidade com uma população de cerca de 100.000 habitantes, mas os trilhos são abundantes. Populares entre turistas e locais, os trilhos recebem mais de 5 milhões de visitantes por ano — só a região de Chautauqua atrai mais de 300 mil visitantes anuais.

Recentemente, as autoridades do OSMP decidiram estabelecer uma parceria com o Centro Leave No Trace para a Ética ao Ar Livre para melhor compreender os comportamentos e as motivações dos seus visitantes. Em particular, queriam descobrir por que razão as pessoas costumam viajar por trilhos não oficiais, criados pelos utilizadores. Apesar de placas e sinais no início dos trilhos incentivarem os visitantes a evitar trilhos não designados ou "sociais", os avisos passam muitas vezes despercebidos.
Um esforço de investigação experimental e de método misto realizado pela Leave No Trace revelou que mais de 40% dos visitantes que viajavam num trilho não designado referiram que utilizavam "sempre" os trilhos designados, o que sugere que nem sequer sabiam que estavam a viajar num trilho não designado. Os investigadores da Leave No Trace não se limitaram a pedir às pessoas que descrevessem os locais por onde passavam - também associaram as respostas ao inquérito a comportamentos observados, de modo a comparar o que as pessoas diziam com o que realmente faziam no terreno. Os resultados indicaram que até 15% dos visitantes utilizam trilhos não designados nas terras do OSMP. Isto equivale a mais de meio milhão de pessoas a caminhar, correr e passear com o cão nestes trilhos.
Os resultados mostraram que 42% dos visitantes inquiridos não sabiam que existiam trilhos não designados no sistema OSMP. A resposta mais popular deste grupo foi "Não era minha intenção sair do trilho designado (foi um acidente)". Entre os visitantes que sabiam que tinham viajado em trilhos não designados, a resposta mais popular foi "Já o fiz antes e funcionou bem para a minha experiência de visitante." Os visitantes frequentes de espaços abertos também referiram ser os menos propensos a permanecer nos trilhos designados.
O estudo também examinou vários métodos para limitar a utilização de trilhos não designados. Os resultados sugerem que a melhor forma de mitigar a utilização foi a combinação de uma barreira física e de um tratamento educativo (sinalização educativa). Os resultados indicaram uma redução estatisticamente significativa da utilização de trilhos não designados quando foram colocados um sinal e uma barreira. Esta estratégia poderia reduzir a utilização destes trilhos em cerca de 370 000 utilizadores por ano.
Por que razão o departamento de OSMP de Boulder estudaria esta questão? Será que importa realmente que os visitantes se afastem dos trilhos oficiais? Embora as pessoas possam achar estes trilhos tão agradáveis como as rotas designadas, muitas vezes existem preocupações ocultas que podem passar despercebidas a um visitante casual. Os trilhos criados pelos utilizadores podem afetar habitats sensíveis de animais ou plantas, ou levar a erosão indesejada e a problemas relacionados com a qualidade da água. Em alguns casos, trata-se simplesmente de controlar a proliferação de trilhos que contribui para a sobrelotação e utilização excessiva de uma área natural.
Tal como a maioria das agências que gerem terras públicas, o departamento de OSMP de Boulder esforça-se por equilibrar a protecção dos recursos naturais com a disponibilização de acesso para recreação. Melhorar a sua capacidade de conter a utilização de trilhos não autorizados é uma parte importante do cumprimento destes objetivos.
LER O ESTUDO COMPLETO E O RELATÓRIO SOBRE A GESTÃO DE TRILHOS NÃO AUTORIZADOS (DOCUMENTO PDF).

